E depois do regabofe do regime sobre o tango argentino, continua o semba do autoritarismo e da fome. Absoluta. Politicamente orquestrada e planificada, pelos senhores do absurdo, que dominam, militarmente, um país que há muito, deixou de sonhar. Os cidadãos. Os povos continuam impávidos e serenos a ver o giboiar de uma trama que se agiganta contra tudo e todos, “in pleno” rumo ao “pacto entregacionista” da soberania económica, pela elite do MPLA aos impérios lusitano, asiático, árabe, Europa ocidental e América. Estes legitimarão as fraudes eleitorais e a ditadura, reconhecendo a democracia dos minerais.
Por William Tonet
O MPLA chegou ao ano 50. Desgraçadamente! Altruísta. Arrogante. Vazio. Militarmente intimidatório. Traidor dos cidadãos e reinos autóctones. “Entregacionista” das riquezas angolanas.
E, no 11 de Novembro de 2025, numa clara demonstração de em política não haver coincidência, o presidente de Angola fez-se ladear por um ditador, Sassou Nguesso (Congo –Brazzaville), colocado no poder pelo MPLA, após derrubar um presidente democraticamente eleito, Pascal Lissouba e pelo presidente da ex-potência colonial (Portugal), Marcelo Rebelo de Sousa.
A “proximidade notória” não carece de provas… Ditadura e colonialismo.
Ambos apadrinha(ra)m, o poder absoluto de um homem só, na Marginal da Praia do Bispo, que esvaziou a alegada reconciliação nacional, ao fazer desfilar sozinho,
Agostinho Neto diante dos “canhões 270577”, sem os outros dois subscritores dos Acordos de Alvor.
Enterradas a reconciliação e a democracia, o poderio bélico imperial das forças armadas seria exaltado pelo Presidente de Portugal.
Não foram (são) máquinas para defesa da soberania do país, mas para a blindagem da “soberania-bélica” do regime do MPLA.
O silêncio de antigos generais, classe castrense actual e dirigentes foi tolhido pelo olhar fugaz do comandante em chefe, partidário (presidente do MPLA), das FAA, apartidárias.
A ingenuidade da oposição e democratas do MPLA, de normalizarem actos inconstitucionais e ilegais, torna-os cúmplices de um poder imperial (garbosamente, vestido por ateliers ocidentais), que navega na bússola de orgias sexo-financeiras, com hercúlea indiferença a fome, pobreza e miséria dos 20 milhões de pretos pobres.
VERGONHA E SILÊNCIO DOS BONS ANTE A ASCENSÃO DA DITADURA
O país baixou ao fundo com a covardia do silêncio dos bons, ao normalizarem o mau, com medo da perda de mordomias.
A destruição do poder legislativo e a humilhação velada e escabrosa contra uma mulher frágil, no interior do seu partido denota um comportamento escabroso, de quem abomina, órgãos de soberania independentes, democracia e quer impor mais 50 anos de ditadura…
Não foi uma mera substituição foi a consumação de um verdadeiro golpe de Estado, onde um partido subverteu os mais elementares e sublimes princípios norteadores da separação de poderes.
O MPLA e o Presidente João Lourenço demonstraram não haver órgãos com poder real e efectivo, senão o do seu partido.
Uma presidente da Assembleia Nacional, sem processo disciplinar movido pela sua e demais bancadas parlamentares é surpreendida, por uma ordem de “exoneração”, pelo presidente do seu partido, numa reunião do bureau político, convocada inicialmente para outro fim.
Todos foram apanhados de surpresa, pela frieza da ordem. Com excepção de um membro, mas ninguém, neste órgão, com medo de represálias, falou…
O Estado foi humilhado. Desconfigurado. A farsa continua e a oposição assiste silenciosa a caravana do mal passar.
Carolina Cerqueira nunca manifestou vontade de suspender ou renunciar ao mandato, mas naquele fatídico dia, na sede do MPLA, testemunhou a natureza perversa do seu partido ao ser escorraçada de um órgão de soberania de Estado, pelo bureau político e ver nomeado um ministro de Estado, em funções no Executivo, para a substituir, sem ser deputado em efectividade.
Barbaridade jurídica e verdadeira sacanagem política, atentatória contra um Estado, que se diz, de Direito e Democrático. Mas caiu o democrático, ascendeu o ditatorial.
A Constituição e a lei, leva a que a referência da norma ao partido, seja interpretada como a iniciativa da bancada parlamentar, havendo razão e justificativa imponderável, que não atente contra a solenidade de um órgão de soberania, tão importante como o poder legislativo.
João Lourenço mostrou, mais uma vez, força e, mais grave, capacidade de humilhar, na praça pública, os camaradas de partido. Venceu impondo o medo. Mas perdeu respeito e consideração dos silenciosos, que crescem, como ervas daninhas.
Esperam pelo dia do juízo final…
Enquanto isso, noutra margem a indignação e clamor dos povos vai crescendo em surdina e poderá rebentar um dia, mais cedo que tarde, superando as experiências de protestos populares anteriores, que se confinaram na periferia da indignação e da comida.
Não sou negativista mas por esse andar de afronta a tudo e a todos, não vaticino nada de positivo. É hora dos patriotas e nacionalistas, de todas as latitudes indignarem-se, travando o desmonte político plural e o cada vez maior domínio de uma casta de especuladores estrangeiros, que controla a soberania económica de Angola.
Os órgãos judicial e legislativo descaracterizados, com pessoas adestradas no seu comando, jamais se pode augurar uma alternância baseada no poder do voto.
Estas acções políticas, as injustiças, a violência da polícia, a cumplicidade da comunidade internacional, os presos políticos, são a demonstração de que João Lourenço vai continuar a bem ou a mal no poder.
A Constituição, tal como disse o político português, Almeida Santos, em relação aos Acordos de Alvor, é um mero papel sem valor real…
No caso, o presidente do MPLA espezinhou o n.º 1 do art.º 150.º (Imunidades), por no exercício de funções o deputado (presidente da Assembleia) não pode ser punido, nem disciplinarmente, por opiniões no exercício de funções.
E, o art.º 153.º (Substituição definitiva) exige que o deputado (a) faça uma renúncia definitiva, ou seja este sancionado por excesso de faltas. Não foi o caso de Carolina Cerqueira, que se tivesse manifestado disponibilidade, o MPLA teria de ser substituída, “segundo a respectiva ordem de precedência, pelo Deputado seguinte da lista do partido ou da coligação a que pertencia o titular do mandato vago”. Não é o caso de Adão de Almeida, que está cerca de 10 lugares depois de Carolina. Configura pois o acto verdadeira boçal gincana jurídica.
A Lei 13/17 – Lei Orgânica do Regimento da Assembleia Nacional, no art.º 40.º faz alusão a indicação do partido, mas não é peremptória, pois a CRA exige o ritual interno, na Assembleia, quanto à substituição. O MPLA não é órgão de soberania, logo, não pode intramuros, proceder a mudanças, no poder legislativo, violando as regras.
Ademais só um deputado efectivo, pode ascender à presidência da mesa, segundo o art.º 19.º, num acto eleitoral que decorre em plenária. Com 24 horas, antes do processo formal, viola-se o art.º 18.º do Regimento.
A falta de formalismo exigido pelo art.º 20.º, torna inconstitucional e ilegal a indicação do bureau político do MPLA, de Adão de Almeida como presidente da Assembleia Nacional.
“Colocar um batoteiro, que forja a partir da CNE as eleições é anunciar, ao país, previamente, que não haverá eleições livres e justas em 2027, porque João Lourenço tendo consumado o golpe de Estado, com o domínio dos órgãos, instaurou a ditadura.
A ascensão de Adão de Almeida está longe de ser consensual e, mesmo das entranhas do MPLA começam a sair notícias nada abonatórias.
“Nos outros países, depois de muitos anos, os filhos e netos de antigos ditadores, fascistas, traidores, estão a concorrer em eleições democráticas, para o poder. Mas em Angola, sem eleições temos o neto de um bufo da PIDE, na Assembleia Nacional”, denunciou o antigo guerrilheiro do MPLA, Gaspar João.
O professor e pastor metodista Adão Francisco de Almeida (pai de Roberto de Almeida), fazia um programa, no tempo colonial, na Emissora Oficial de Angola, “a serviço da PIDE, contra os guerrilheiros nacionalistas que combatíamos o colonialismo português e, ele, avô do actual presidente da Assembleia Nacional, nos chamava de terroristas e que, inclusive, tínhamos morto a sua filha, Deolinda Rodrigues”, concluiu o antigo guerrilheiro.
O crime não é transmissível e não pode Adão de Almeida, pagar por um crime alegadamente cometido pelo seu avô, por muito que seja a indignação…
Os próximos tempos dirão qual a força do V27 (veneno de 2027).
Mas, hoje temos uma certeza, no dia 18 de Novembro de 2025, deixou de haver Assembleia Nacional, passou-se a ter Assembleia Presidencial, numa cópia da Assembleia do Povo, em que o Presidente da República, era, cumulativamente, presidente do parlamento, tal como os imperadores, reis e ditadores.
O bureau político do MPLA acabou, para desgraça dos sonhos colectivos, com o incipiente Estado de Direito e Democrático e os poderes; judicial, legislativo e executivo.
Angola tem, hoje, ostensivamente, apenas um poder: João Lourenço, com todos os poderes imperiais, com a cumplicidade da União Africana, União Europeia, Ásia, Médio – Oriente e América, que têm como compensação de reconhecer o regime as terras raras, os nossos valiosos minerais.
E como todos os políticos se calam, Manuel da Silva Manico vai mesmo continuar, até 2027, contra a lei, a frente da CNE, o órgão mais batoteiro e subversivo, que destrói as provas da verdade do processo eleitoral, no quadro da “LÓGICA DA BATATA, NA LEI DA BATOTA”!


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